Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Cambedo - Dia 9 - Primeiro dia de Batalha

 

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Cambedo, dia 20 de Dezembro de 1946, 1º Dia da Batalha.
 
Faz hoje precisamente 61 anos em que os acontecimentos do Cambedo têm início e se dá o 1º dia da Batalha.
 
Oficialmente sobre a Batalha do Cambedo há os relatórios da GNR e da PIDE, feitos à maneira oficial da altura em que se relatava aquilo que convinha e era conveniente relatar, o politicamente correcto para ser oficialmente aceite e também tendo em vista (claro) a promoção dos relatores. Quanto à imprensa da altura, relatava-se o que era dito pelas autoridades de então, mas sobretudo inventou-se, especulou-se e denegriu-se a imagem dos guerrilheiros, que nunca foram tratados como tal, ou seja, disse-se o que era oficialmente aceite pelo regime de Salazar ou que convinha ser dito e a mais não se atreviam e mesmo que se atrevessem seria censurado. Mais à frente, num próximo post, passará por aqui o que foi dito sobre os acontecimentos do Cambedo:
 
 
E assim foi até aos anos 80 em que apenas existiam por um lado os relatos oficiais da PIDE e do sistema e pelo outro, os silêncios do Cambedo (dos vermelhos como eram rotulados). Quanto a documentação sobre o assunto só a oficial, em arquivo, na qual nunca ninguém se tinha atrevido mexer, até então.
 
Pela documentação e publicações a que tive acesso, Jorge Fernandes Alves – Cadernos Culturais 2 – «O Barrosos e a Guerra Civil de Espanha», Edição da Câmara Municipal de Montalegre, 1981, teria sido o primeiro a mexer no tema e na guerrilha antifranquista da raia e, a trazer a lume algumas verdades até então nunca ditas. Logo seguido pelo jornalista Artur Queirós e Paula Godinho que fez um excelente trabalho de levantamento sobre os guerrilheiros e o Cambedo e, ainda Bento da Cruz, sobre todos os guerrilheiros e guerrilha na raia portuguesa, sobretudo no Barroso, tal como José Dias Batista. Todos eles com trabalhos interessantes sobre a guerrilha antifranquista. Depois os já mencionados documentários, televisão, filmes, homenagens, mais publicações e por aí fora… Aos poucos ia-se desvendando algumas (sublinho algumas) verdades-verdadeiras sobre o Cambedo, sobretudo com testemunhos das pessoas que viveram directamente os acontecimentos. No entanto, ainda hoje me dizem pessoas do Cambedo, que a verdade (toda a verdade) nunca foi contada e talvez nunca venha a ser contada, pois já restam poucos sobreviventes directamente intervenientes nos acontecimentos, e os poucos que ainda estão vivos preferem remeter-se ao silêncio.
 
Mas estou a desviar-me do assunto deste capítulo e que é o primeiro dia da Batalha do Cambedo.
 
São sete horas da manhã de 20 de Dezembro de 1946, o Cambedo ainda dorme mas está cercado por ambos os lados da fronteira, pelos militares fiéis a Franco (do lado espanhol) e por militares portugueses (PIDE, GNR, Guarda Fiscal, PSP, e mais tarde o Exército) prontos para lançar o ataque à aldeia. Demétrio, Garcia e Juan, dormiam. Juan em casa de Engrácia Gonçalves, Demétrio e Garcia em casa da irmã de Demétrio a casa do Mestre, Manuel Bárcia, dormiam com uma única preocupação: - a matança do porco prevista para essa manhã, fria, gelada. O cão do Mestre (cão de contrabandista sempre atento a todos os sinais estranhos (sic Artur Queirós) começa por dar o sinal de que algo estranho se passava. O Mestre desperta e apercebe-se do cerco. Avisa Demétrio e Garcia…
 
A partir de aqui seguimos o que é relatado por Bento da Cruz no seu livro “Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes”
 
 
 
“(…) Eles nisto, ouvem-se tiros nas traseiras da casa da Engrácia. Acodem todos ao local.
 
Otelo Puga (PIDE) vangloria-se de, e passo a citar «por intuição defensiva, fi-lo, por nossa felicidade, recuando e de pistola-metralhadora aperrada.
 
Pelo que, depressa me apercebi de que dois indivíduos, com carabinas em bandoleira e com pistolas na mão, fugiam por entre umas pilhas de achas de pinho, que se encontravam a cerca de trinta metros de nós, juntas a umas medas de palha, num quinteiro defronte da casa de onde tinham partido os primeiros tiros».
 
Desfecha-lhes uma rajada. Os fugitivos atiram-se ao chão e ripostam.
 
Mota de Freitas, Joaquim Alves e o guarda-republicano entrincheiram-se atrás de uma parede e atiram também.
 
Nisto, a palha começa a arder e um dos fugitivos tenta a fuga.
 
Joaquim Alves e o guarda-republicano lançam-se-lhe no encalço.
 
Otelo Puga continua a metralhar e sítio onde o outro se atirara ao chão, não fosse ele alvejar os colegas pelas costas.
 
Num gesto rápido, o primeiro fugitivo volta-se e mete dois tiros numa perna ao Joaquim Alves. O guarda-republicano recua e protege-se. Os outros acodem. Como o segundo fugitivo não tugisse nem mugisse, avançam para ele. Não encontram ninguém. Acorrem a prestar os primeiros socorros ao Joaquim Alves.
 
Mata de Freitas aproveita para despachar um estafeta ao Couto a pedir a comparência das forças para ali destacadas e um outro a Chaves a comunicar ao comandante da Companhia o ocorrido e a pedir o envio de mais forças.
 
Otelo Puga obriga a Engrácia a abrir a porta e a fornecer a identidade dos fugitivos. Ela jura que, lá de casa, não saíra ninguém. Prendem- na.
 
Neste interim, grande alarido lá para a coroa do povo. Mata de Freitas envia dois guardas-republicanos a ver o que se passa. Eles estugam o passo, rua acima. À curva da capela deparam com um grupo quase bíblico: um camponês com um macho pela arreata; um outro em cima do macho, escachapernado na albarda, com uma garotita nos braços; em redor, populares aos gritos.
 
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A foto actual de Silvina Feijó, 61 anos após ter sido ferida na "Batalha do Cambedo"
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Os GNRs interceptam-nos e inquirem. Falam todos ao mesmo tempo. Que a garota está ferida. Que é preciso levá-la ao hospital. E mostram a perna da menina com a tíbia e o peróneo fracturados e expostos, envoltos numa toalha ensanguentada.
 
E o homem da arreata, pai da menina, explica. Estava ele a aparelhar o macho debaixo da varanda, quando uma saraivada de balas varreu a casa, a toda a largura. Ele cosera-se instintivamente com um poste de pedra. O macho fugira, espavorido. Mas a menina, que estava na varanda a atirar migalhas de pão às pitas, no suflagrante de se recolher dentro da cozinha, tombara na soleira da porta.
 
Os guardas duvidam. A casa atingida ficava bem à coroa do povo, a uns duzentos metros ou mais da casa da Engrácia, donde se haviam disparado os únicos tiros.
 
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Os populares insistem na urgência de levar a menina ao hospital, antes que se escoe em sangue.
 
Os guardas-republicanos deixam passar o trio do macho. Os outros que fossem para casa.
 
Havia ordens de, genericamente, deter todos aqueles que tentassem entrar ou sair da aldeia. Mas este era um caso imprevisto.
 
Levam os dois camponeses e a menina ao comandante. Este reúne o estado-maior. Discutem demoradamente o assunto. Por fim acordam deixar, por especial favor, prosseguir a enferma e os dois acompanhantes caminho de Chaves, a umas três horas de jornada pedestre.
 
E com isto se derretem uns cinquenta minutos, findos os quais se ouvem tiros lá para a fronteira, a cerca de um quilómetro de distância, costa arriba.
 
A operação Cambedo havia sido montada de súcia entre as autoridades portuguesas e espanholas. Mota de Freitas sabia que a raia estava guardada por um forte contingente de guardas-civis. Conjecturou logo que os fugitivos (nessa altura ainda se supunha que fossem dois) haviam esbarrado nas armas espanholas e retrocedido. Ordena a um grupo de guardas-republicanos que bata a colina subjacente à fronteira. E que os outros não descurem as entradas e saídas da povoação.
 
Acabavam de evacuar o pide Joaquim Alves, vem de lá do fundo, de um ribeiro que flanqueia o Cambedo pelo poente, no sentido norte-sul, o eco de um tiro. Mota de Freitas envia um GNR a saber o que se passa. O emissário vai a passo e regressa a correr, todo alvoroçado. Que um dos fugitivos fora morto. Quedam todos entre espantados e surpreendidos. No fundo ninguém ia a contar com mortes.
 
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Mota de Freitas pergunta se alguém conhece o defunto. Todos o conheciam. Era o Juan, ou Facundo.
 
Neste comenos, chegam os vinte guardas-republicanos que haviam sido destacados para o Couto, sob o comando do sargento Meireles.
 
Pelas onze horas principia a revista às casas. A primeira é a da Engrácia. Não topam nada de especial.
 
Passam à do João Valença, do outro lado da rua. Encontram o José Barroso, filho da Engrácia, deitado numa cama a fingir que ressona. Perguntam-lhe por que razão está a dormir em casa da vizinha, em vez de estar em casa da mãe. O rapaz não atina com uma resposta satisfatória. Prendem-no e passam à frente.
 
Pelas treze horas, iam as buscas por alturas do quartel da guarda-fiscal, ouve-se de novo o ladrar duma pistola-metralhadora. Voltam-se todos para as bandas de onde os latidos tinham vindo. Vêem um guarda-republicano a tropeçar nas próprias pernas, olhos esbugalhados, lívido, sem fala. Rodeiam-no. Ele aponta o pátio da Albertina. Gagueja.
 
Que haviam entrado três. Dois ficaram lá. Ele salvara-se por milagre. E quem havia atirado? Não vira. Mas parecera-lhe que os disparos haviam saído de um palheiro.
 
Os guardas-republicanos e o pide ainda operacional quedam a olhar uns para os outros, atónitos, incrédulos, hesitantes. E agora?
 
Eis que chegam, vindos de Chaves, os guardas que haviam sido destacados para Nantes, sob o comando do tenente Santos. Com eles vinha o pide Vasco da Rocha Guerra. Parlamentam. Alguém levanta a hipótese de os sitiados se apoderarem das armas, ou mesmo das fardas, dos guardas mortos. Que fazer?
 
Prudentemente, por largo, a coberto de paredes e árvores, cercam um quarteirão de três casas que parecem comunicar umas com as outras.
 
...............................................................................
 
 
= Legenda =
 
1 -  Quartel da Guarda Fiscal
2 - Casa de Silvino Espírito Santo (G.F. Reformado)
3 - Casa de Octávio Augusto, Guarda Fiscal a prestar serviço no Cambedo.
4 - Casas de Albertina Tiago e do Mestre Bárcia, onde Demétrio e Garcia pernoitavam no dia dos acontecimentos.
5 - Anexos (lagar e forno) das casas de Albertina Tiago e do Mestre Barcia, onde Demétrio e Garcia se abrigaram durante a "Batalha"
6 - Pátio das casas de Albertina Tiago e do Mestre Bárcia, onde foram mortos os dois guardas da GNR
7 - Casa onde pernoitava Juan Salgado
............................................................
 
 
A dada altura, assoma uma cabeça a uma janela. Otelo Puga intima o curioso a recolher-se, se não quer ser alvejado. O curioso recolhe a cabeça, estende o braço e chispa fogo.
 
«Mais uma vez fui bafejado pela sorte...» - deixou escrito o Puga, muito ufano pela esperteza de se ter protegido com a umbreira de uma porta. Os outros protegem-se também. O caso estava a ficar sério.
 
Na bagagem dos recém-chegados de Chaves vinham algumas granadas de mão e bombas incendiárias. O tenente Santos manda incendiar o palheiro. Os engenhos são lançados. O palheiro, porém, resiste. Avançam as granadas de mão. Falham também. Então obrigam o Manuel Bárcia a incendiar o palheiro - «e em meia hora tudo ficou reduzido a cinzas, restando apenas de pé as paredes».
 
Já no pleno uso da língua, o guarda milagrosamente escapo, acusa uma das donas de casa de lhes ter dito que podiam entrar à vontade, que, ali, não estava ninguém. Trata-se de Manuela Garcia Álvarez, irmã do Demétrio e mulher do Manuel Bárcia. Prendem-na. Ela defende-se dizendo que não mentira. Que, em sua casa, não estava ninguém. Se houve tiros e mortes, isso foi no pátio da sua prima e vizinha Alberina Tiago. Perguntam-lhe pelo número de bandoleiros. Ela responde que ignora.
 
Obrigam de novo o Manuel Bárcia, como familiar e amigo dos espanhóis, a ir buscar os dois guardas mortos e respectivas armas.
 
Ele, de início, recusa. Ante a ameaça de fuzilamento, obedece.
 
Mas demora. Arrastar um cadáver ainda quente, de mais a mais de um guarda-republicano, não é tarefa agradável, nem fácil. Gritam-lhe que se mexa. Mas ele não tem pressa nenhuma.
 
Por fim aparece à cancela, às arrecuas, com o morto sopesado pelos sovacos, nádegas, pernas e botas a varrer o cisco do chão.
 
- Para aqui! - gritam-lhe detrás da esquina.
 
Ofegante, o Bárcia alija o cadáver no sítio indicado. Identificam-no. Trata-se do soldado de lª classe do posto da GNR de Chaves, José Joaquim, de 34 anos, solteiro (1), natural da freguesia da Sé, Lamego. Está crivado de balas de alto a baixo.
 
Gritam de novo ao Mestre que se despache. Mas ele não se dá por achado. De vez em quando alija o cadáver e limpa o suor da testa ao canhão da véstia. Por fim, com um arranco de desespero e revolta, arrasta o outro cadáver para a rua principal, onde o comandante e respectivos lugares-tenentes o aguardam, cosidos com as paredes. Identificam-no: José Teixeira Nunes, 37 anos, natural da freguesia de Oliveira, Amarante, casado e pai de três filhos menores. Apresenta, na região posterior do tronco, nove orifícios correspondentes à entrada de outras tantas balas de calibre 9, disparadas à queima-roupa.
 
Tratam de despachar os dois mortos para Chaves. O tenente Santos aproveita para pedir a comparência do comandante da Companhia e o envio de mais granadas.
 
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À esquerda (em primeiro plano) Quartel da Guarda Fiscal, à direita os portões do pátio de Arbertina Tiago e do Mestre Bárcia
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Enquanto isto, o tiroteio continua. Impossibilitados de sair de casa, pessoas e animais desesperam. Assustadas, as crianças choram. Espavoridas, as aves fogem das árvores e as galinhas das eiras. Incomodados pelas bombas e pelos tiros, os cães uivam, incessantemente. Apreensivos e tristes com a morte dos dois companheiros, os guardas só desejam uma coisa, que os espanhóis se rendam e o tiroteio acabe. Mas eles não se renderam, tarde fora, até a noite cair.
 
Para evitar que eles se aproveitem das trevas para se evadirem, os sitiantes incendeiam duas medas de palha situadas defronte da casa da Albertina, do outro lado da rua.
 
Neste meio tempo, arribam os guardas-republicanos que haviam sido destacados para Sanfins de Castanheira, sob o comando do tenente Antunes. Com eles, o pide Hélder Cordeiro Alves. Trazem dois projectores eléctricos. Colocam-nos de modo a iluminar as traseiras da casa da Albertina.
 
Entretanto, noite dentro, vão chegando: o comandante da Companhia, capitão Alexandre Medeiros; um destacamento da PSP do Porto, e, com ele, o pide Vitorino Antero Alves; um pelotão de Caçadores 10 de Chaves, especializado em morteiros de campanha.
 
Instalam o comando no quartel da guarda-fiscal, casa de loja e sobrado, com duas janelas. A do norte dá para uma travessa de três metros de largura. Do outro lado ficam duas cancelas contíguas. A primeira de acesso ao eido do Manuel Bárcia; a segunda ao quinteiro da Adelaide Teixeira, de onde, a espaços, vêm rajadas de pistola-metralhadora.
 
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à Direita, Quartel da Guarda Fiscal, ao fundo os portões do pátio de Albertina Tiago e Mestre Bárcia
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O comandante em campo ordena a um agente da PSP, vindo do Porto, que arremesse granadas de gás lacrimogénio sobre o «covil dos bandoleiros» cujo número toda a gente calcula serem seis ou mais.
 
Mas o vento pica do norte e vira o feitiço contra o feiticeiro. Desistem. A noite, sem lua, está gelada. Uns sopram às mãos, outros batem os pés no chão. Há quem, sorrateiramente, deslize para dentro dos pátios, dos estábulos, dos palheiros e se recoste às paredes, armas em descanso.
 
No quartel da guarda-fiscal há uma braseira. Os maiorais avivam as brasas e trocam opiniões. Todos concordam em que eles não têm qualquer hipótese. Ou se rendem ou morrem. É tudo uma questão de tempo.
 
Dos habitantes do Cambedo, raro é aquele que consegue pregar olho. Pelas cinco horas, o palheiro incendiado extingue-se de todo.
 
O comandante recorre de novo a um PSP perito em foguetes luminosos. Estes, porém, chegam ao fim e o dia não há meio de romper.
 
Então o pide Vitorino Aires oferece-se para incendiar outra meda de palha existente no local. O comandante aceita o alvitre. Mas a tarefa não é fácil, dado que o alvo fica no raio de acção das balas inimigas. O Vitorino aproxima-se o mais que pode e lança um fachuco de palha embebido em petróleo. Com tão boa fortuna que a meda se incendeia.
 
O dia está quase a nascer, já é dia de 21 de Dezembro, por isso, só amanhã é que passará por aqui.
 
Até amanhã.
 
(1) - (Em tempo):

Por um comentário da neta do militar da GNR de José Joaquim (de 12/06/08) ficamos a saber que o militar era casado com Filomena da Conceição e pai de Manuel Joaquim, que na altura tinha apenas 1 ano de idade.



publicado por Fer.Ribeiro às 03:26
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7 comentários:
De Luís Filipe Nunes a 2 de Julho de 2008 às 03:09
Olá

O meu nome é Luís Filipe Nunes e sou neto do militar da GNR José Teixeira Nunes, uma das baixas da batalha do Cambedo da raia.

Há cerca de cinco ou seis anos atrás foi-me oferecido por um ilustre barrosão, um livro contendo um pequeno excerto da batalha de Cambedo e onde vinham mencionados os nomes do meu avô e de um seu colega militar da GNR, vítimas do cenário de então.

Desde esse momento comecei a pesquisar e a querer saber mais sobre o assunto. A minha avó, pela distância e pelas dificuldades de se deslocar a Chaves onde foram sepultados estes soldados, nunca teve possibilidade de visitar o local onde foram depositados os restos mortais do meu avô. Lembro-me do meu pai em tempos referir que tinha tentado localizar a sepultura do meu avô sem sucesso. Na altura, como é próprio da idade, não dei a devida atenção ao assunto. O tal livro como referi foi o click " para começar a averiguar e tentar compreender o que sucedeu. Depois, em conversa com um amigo livreiro, cheguei até ao livro "Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes" de Bento da Cruz que devorei num instante. Motivado, desloquei-me a Chaves, onde consegui o registo de óbito do meu avô. Fiquei emocionado! Verifiquei que não é já possível saber o local exacto onde foi sepultado porque muitas alterações aconteceram desde então. No livro de Bento da Cruz é referido que meu avô deixou três filhos menores. Na verdade ele deixou seis filhos, à data todos menores, incluindo o mais novo (meu pai) que vinha a caminho e não teve oportunidade de o conhecer. Infelizmente o meu pai já não está presente para ser meu companheiro nestas investigações (e que entusiasta seria!).

Na altura, o meu tio mais velho, na sequência do sucedido, teve oportunidade de ingressar na academia militar tendo aí feito carreira. Também ele, já ausente, gostaria de saber e de ler estes livros e outros documentos sobre cambedo que certamente influenciou a sua vida futura.

Não tive ainda oportunidade de ir a Cambedo mas tenciono fazê-lo em breve para sentir um pouco mais da história.

Enfim, tudo isto me entusiasma e me faz querer saber um pouco mais.

Acho que naquela batalha todos saíram a perder. O meu avô era tido como um homem determinado, corajoso e amigo dos seus amigos. Deixou certamente uma árdua tarefa à minha avó que, como é dom da mulher, conseguiu ser mãe e pai em simultâneo.

Achei muito interessante o blog sobre este assunto. É um tema que desperta emoções e que traz à memória uma passagem da história raiana que merece ser recordada para que dela se possam tirar as devidas lições.

Vejo também com muito agrado a atenção que membros das gerações mais novas das famílias envolvidas dispensam a esta questão.

Com os melhores cumprimentos

Luís Nunes





De Fer.Ribeiro a 2 de Julho de 2008 às 04:08
Olá Luís Filipe

Desde já obrigado pelo seu comentário.

Gostaria de entrar em contacto consigo. Deixo-lhe o meu mail para contacto: proart@net.sapo.pt ou ribeiro.dc@gmail.com

desde já obrigado


De carla joaquim rebelo a 9 de Julho de 2008 às 23:44
É com grande satisfação e agrado que encontro neste blog um descendente do militar que perdeu a vida juntamente com o meu avô naquela infeliz batalha. Já há algum tempo que perguntava ao meu pai se teria conhecido alguém pertencente à família do soldado José Teixeira Nunes. A sua resposta foi negativa. Como já terá reparado pelos meus comentários a este blog, fiquei a saber mais alguma informação graças a este senhor Fernando Ribeiro por se ter lembrado de investigar o caso . Havia uma colega do meu pai que cuidava da campa do meu avô. Eu nunca lá fui ao cemitério de Chaves nem a Cambedo mas irei lá em breve e levarei todos os descendentes próximos do meu avô para lhe prestar a minha homenagem. Se algum dia quiser contactar-nos fica o email carlajoaquimrebelo@gmail.com .


De Carla Biet a 26 de Julho de 2008 às 21:25
Boa noite,

O meu nome é Carla Barcia de Jesus e sou neta da Manuela e do Manuel Barcia.
Nasci em frança e sempre ouvi de longe a minha familia comentar o que aconteceu naquela noite.
Além da historia dos meus avos, existe outra versao : a versao que considera que os meus avos e o demetrio eram terroristas ! Alem da pena des familias que sofreram a perdida de um ser caro ( os 2 GNR ) sinto um certo orgulho em pensar que certas pessoas sao capazes de muito por o que hoje nos parece natural : a liberdade.
A historia nem sempre conta o que sofreram aqueles que tiveram a coragem de acolher os guerilheiros. Sueguiram apos esse dia bastantes anos de sofrimento, de criticas da parte de muita gente da aldeia . Mas como o precisei , sempre vivi longe disso. Hoje tenho 36 anos, uma filha de 5 anos e meio e gostava transmitir a historia da nossa familia e daquela aldeia onde fui em parte criada.
Descumpem o meu português ......


De João T. a 1 de Agosto de 2008 às 08:21
A minha mãe é natural do Cambedo. A minha avó sempre me falou das histórias da guerra da espanha. A meio da leitura enviei o URL deste blog à minha mãe. Disse-lhe para perguntar à minha avó, que "talvez" se lembrasse. Quando retomo a leitura vejo a imagem com as casas da batalha e...surpresa...Octavio Augusto era o meu bisavô. O facto de a minha bisavó ser Barcia explica porque as casas estavam tão juntas. Mal posso esperar para perguntar a minha avó :)


De Dakkon a 31 de Outubro de 2008 às 16:17
Oi.. O meu pai chama-se octávio augusto barroso Bárcia, parece ao que me contou que ele é descendente dos Bárcia mencionados nesta historia, já tinha ouvido esta historia dele mas só agora depois de ver o blog percebi melhor o que se passou..


De João T. a 6 de Maio de 2014 às 16:44
Lol. És o Vitor ou o Emanuel?


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