Sábado, 10 de Dezembro de 2011
Os Salteadores

 

Este post teve publicação simultânea no Blog Chaves (http://chaves.blogs.sapo.pt) e no blog Cambedo Maquis.

 

 

No último sábado andámos (blogers e fotógafos) por terras da raia, mais propriamente nas de Vilarelho da Raia com visita obrigatória ao Cambedo da Raia onde houve uma abordagem também obrigatória dos acontecimentos de Dezembro de 1946. Fiz na altura referência ao blog Cambedo Maquis onde eu dizia que se contava tudo sobre o Cambedo e sobre o Couto Misto, mas esqueci de dizer que ainda há muito por contar. É certo que o blog Cambedo Maquis não tem sido actualizado desde 1 de Outubro de 2009, mas não quer dizer que com esta ausência de actualização durante os últimos dois anos que o blog esteja encerrado, antes pelo contrário. Entrou, é certo, numa fase de reflexão, mas também de recolha de dados, informações e de histórias que nunca foram contadas, mas que é necessário reunir e documentar com a seriedade que o assunto merece. Essa segunda fase do blog Cambedo Maquis chegará um dia, ainda não sei quando, mas chegará.

 

Entretanto ficou prometido que algumas novidades soltas que tivessem a ver com o Cambedo e os Maquis seriam noticiadas no blog. Algumas tem-no sido, outras tem sido adiadas, sobretudo por falta de tempo para trabalhar essa informação, mas há uma, que embora não tenha directamente a ver com os acontecimentos do Cambedo de 1946, tem a ver com fugidos, ou com espanhóis (como então eram por aqui conhecidos), mas também têm a ver com passagens pela cidade de Chaves e ocorrências da raia da época . Refiro-me a uma história datada de 4 de Maio de 1961 e publicada na clandestinidade por Jorge de Sena em Assis, São Paulo, Brasil, à qual deu o nome de “Os Salteadores” e que é incluída no seu livro “Os Grão-Capitães”

 

Pela certa que alguns de vós já a conhecem das vossas leituras, mas para os que ainda não conhecem, eu fui adiando por uma ou outra razão, o trazer essa história ao Blog Cambedo Maquis e em simultâneo ao blog Chaves e, por um lado, ainda bem que foi sendo adiada para que este momento pudesse acontecer.

 

Pois hoje vamos ter por aqui essa história, não em palavras mas em vídeo, de uma banda desenhada animada Um vídeo no qual tropecei há dois dias numa pesquisa (sobre outros assuntos) que fiz no Google, um vídeo que não poderia deixar de partilhar aqui e que pode fazer mais alguma luz sobre a época dos maquis e dos acontecimentos do Cambedo da Raia.

 

Espero que gostem.

 

 

 



publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
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Sábado, 19 de Julho de 2008
Cambedo é notícia no Público(a)

 

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Prometi vir por aqui sempre que houvesse notícias ou novidades sobre os acontecimentos do Cambedo. Na realidade há algumas novidades sobre o assunto, no entanto o tempo não tem dado para tudo. Mas hoje não poderia deixar de vir aqui, pois mais logo, no Jornal Público, mais propriamente na revista de domingo, a Pública, o Cambedo vai ser notícia.

 

Trata-se de uma grande reportagem de autoria do jornalista Carlos Pessoa que promete ser um contributo para esclarecer mais um pouco sobre a verdade dos acontecimentos, a verdade de uma batalha e as vivências, sofrimentos e “castigos” dos envolvidos.

 

Será pela certa também mais um contributo para o enriquecimento deste blog que continua um blog aberto, onde se pretende reunir todas as informações sobre os acontecimentos de 1946.

 

Assim, já sabe, se é um interessado pelos acontecimentos do Cambedo e da história das nossas aldeias, mais logo (domingo) o Cambedo também está nas bancas, com o Jornal Público, numa reportagem do jornalista Carlos Pessoa.

 

Prometo regressar aqui em breve, não só com as possíveis novidades que Carlos Pessoa traga a público, mas também outras novidades, que no decorrer dos últimos meses tive acesso.

 

Até breve, para já, recomendo a uma leitura à pública, que mais logo estará nas bancas.



publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Cambedo - Dia 12 - A imprensa da época.

 

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E para terminar, vamos fazer uma abordagem pelo que foi dito oficialmente e na imprensa escrita da época sobre os acontecimentos do Cambedo, após os mesmos, claro.
 
Lembre-se que estávamos em 1946 em que a censura estava sempre presente em qualquer escrito mas sobretudo realce-se a imagem feita e oferecida a todos dos guerrilheiros antifranquistas, que em Portugal de então, nunca foram considerados como tal, mas sempre como bandoleiros, bandidos e atracadores, entre outros.
 
O que rezaram os relatórios oficiais e imprensa
 
Já sabemos que em 1946 estávamos em pleno regime Salazarista. Sem querer aprofundar aquilo que foi dito pelos relatórios oficiais da PIDE e outros tais das forças intervenientes no ataque ao Cambedo, em que se relatou o politicamente correcto para o regime, além, (claro) da marcação de pontos e promoção pessoal dos relatores. Em todos eles foi ignorado, como convinha, a existência da povoação inocente do Cambedo e o seu povo também inocente, incluindo crianças, que foram obrigadas a viver debaixo do fogo cruzado das armas durante dois dias (uma delas ferida com um tiro). Dos fracos e inocentes não reza a história, e se rezou, não foi para inocentar, mas antes para culpabilizar, prender e torturar mais de um terço da sua população.
 
Da actuação dos funcionários do regime intervenientes na batalha do Cambedo (GF, GNR, PSP e Exército), não se esperava outra coisa. Cumpriram a sua missão, ou seja, cumpriram ordens pois a tal foram obrigados e, em questões políticas, eram mantidos na ignorância como convinha. Já o mesmo não se poderá dizer das chefias destas forças e da PIDE, que esses sabiam perfeitamente que os tais atracadores eram guerrilheiros anti-franquistas.
 
E a imprensa da época, que já então fazia a opinião pública, como tratou os acontecimentos!?
 
A imagem de guerrilheiro antifranquista (alguns ex-militares do exército republicano e outros tantos, simples fugidos ou refugiados que acabaram por aderir à guerrilha, constituíam a guerrilha antifranquista que ainda tinha esperança em retomar o poder legítimo e republicano saído das urnas e deposto pela força das armas franquistas), como ia dizendo, essa imagem de guerrilheiro nunca passou pela imprensa portuguesa e, além de crimes que lhe imputaram e que nunca cometeram, bem como outras tantas mentiras inventadas a seu respeito para denegrir a sua imagem, em toda a imprensa foram tratados como puros “bandos de malfeitores”, “quadrilha”, “criminosos” e “Bandoleiros” como os apelidou por exemplo o «Diário do Minho», ou “bandoleiros espanhóis” como sempre os tratou o «Jornal de Notícias», ou ainda “bando de civis armados”, “malfeitores de uma quadrilha” ou “meliantes” como foram tratados pelo « O Comércio do Porto», ou ainda por “criminosos” e “bando armado” como foram tratados pelo «O Primeiro de Janeiro».
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Por sua vez no jornal de maior circulação em Portugal, «O Século», de dia 22 a 27 de Dezembro de 1946, dedicou aos acontecimentos sempre notícias de 1ª Página, letras gordas, e se a 22 de Dezembro o título era: « Dois dias lutaram encarniçadamente forças da GNR e do Exército contra o famoso grupo de bandoleiros que actuava em Trás-os-Montes e acabou por se render – o chefe do bando foi abatido». A 23 de Dezembro, também com notícia de 1ª página e continuação/desenvolvimento em pagina interior, o título passou a: «OS BANDIDOS capturados depois de luta feroz travada em Cambedo seguiram para o porto». No rol da notícia estava incluído quase um terço da população do Cambedo, que de “bandidos”, apenas estava o guerrilheiro Demétrio. Mas continua, ao terceiro dia (dia 24 de Dezembro), novamente notícia de 1ª página com o título«Um dos bandoleiros da quadrilha de Cambedo esteve ontem naquela aldeia e parece que ainda há outros bandidos em liberdade» na continuação da página interior começa com o título «A quadrilha de Cambedo». Ao quarto dia, dia 25 de Dezembro, apenas uma pequena notícia, confusa e irreal, pois fala-se num novo bando, o Bando do Barroso, do qual dois elementos teriam sido presos no dia anterior, no Cambedo. Finalmente no dia 27 de Dezembro, também notícia de 1ª página: « CRE-SE QUE O CHEFE dos bandidos de Cambedo não foi preso e receia-se que volte a organizar o seu bando».
 
Mas bem pior que os títulos de primeira página, era o que se vertia nas linhas do artigo.
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O primeiro começa assim«Chaves, 21 – Há tempo que se vinha registando-se longa série de crimes de morte e assaltos à mão armada, praticados por um perigoso grupo de bandoleiros, nas regiões de Montalegre e Chaves, em Trás-os-Montes e na província de Verin, em Espanha. Temidos por toda a gente os bandidos não hesitavam em abater quem quer que se opusesse aos seus desígnios.(…)»
 
É sabido, que à excepção do caso do Pinto de Negrões ( que logo reconheceram como erro crasso) os guerrilheiros apenas actuavam em Espanha, servindo-se das aldeias da raia portuguesa apenas como refúgio.
 
Ainda a respeito do deturpar da realidade, como mero exemplo, é sabido pelos relatórios da PIDE e das forças intervenientes, que tinham ordens para não deixar sair a população de suas casas nem da aldeia. A notícia no “O Século” diz assim: « Assim que começou a luta. Os sitiantes viam a sua acção prejudicada pelo facto de os criminosos não permitirem que os habitantes saíssem da aldeia, retendo-os a seu lado. Sabia-se que o bando era constituído por cerca de vinte homens (…)»
 
Só em valentia, talvez, os três guerrilheiros refugiados no Cambedo valessem por vinte homens. A mesma (valentia) que era atribuída pelo articulista às forças sitiantes «(…)Os soldados da GNR e do Exército, que se portaram com excepcional valentia (…)»
 
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Posso nada perceber de valentias, mas percebo um pouco de matemática. Então vejamos: mais de mil militares da GNR, Guarda-fiscal, PSP, PIDE, Exército (com morteiros) e Guarda Civil (Espanhola) contra 3 guerrilheiros. O resultado, foram dois dias de combate, três casas destruídas pelos morteiros e alguns incêndios. De parte dos sitiantes houve dois mortos e vários feridos, de parte dos guerrilheiros, um morto, um suicídio e um preso, ficaram sem munições. Que cada um tire daqui as conclusões e valentias que quiser.
 
Mas não termina aqui e, a notícia continua: « (…) também foram presos, por fazerem parte do bando ou por encobrirem, dezassete homens e quatro mulheres – a amante, a mãe e duas irmãs do Juan Salgado Rivera (…)» - aqui a única verdade é a de que foram realmente presos os dezassete homens (até mais) e as 4 mulheres, mas todos eles eram gente do Cambedo e não faziam parte do tal  “bando”, nem sequer eram familiares de Juan, como afirma a notícia.
 
Sobre o Juan, que até ser “fuxido” e ingressar na gerrilha antifranquista, sempre tinha sido contrabandista, agricultor e tocador de cornetim “O Século” na edição de 23 de Dezembro promove-o a Alcaide (equivalente ao nosso Presidente de Câmara): «(…) O Rivera foi alcaide de Léon, Espanha, quando da guerra civil, e tinha no seu activo mais de duzentos assassinos, dirigindo um bando comunista (…)» por sua vez, Manuela Garcia, na mesma edição de “ O Século” é apelidada de “espia do bando”. Mais à frente, a respeito das forças militares sitiantes diz o seguinte: «(…) Segundo afirmou o sr. Capitão Medeiros, um dos organizadores do ataque a Cambedo, nenhum dos habitantes da localidade ficou ferido, tão bem planeada foi a operação levada a cabo (…)» - Já Silvina Feijó, felizmente ainda viva, não diz o mesmo, aliás ainda tem a cicatriz e sofre das mazelas do tiro que então levou numa das pernas quando tinha apenas 12 anos de idade, para não falar das três casas que foram destruídas com os morteiros, dos palheiros incendiados. Mas a melhor de todas (na mesma edição) é quando afirma: «(…) entre outras proezas de vulto, os bandoleiros haviam planeado um assalto à cidade de chaves.(…)». Já sabemos que os três, ou melhor, dois guerrilheiros (pois o Juan foi morto nas primeiras horas), resistiram ao cerco de mais de mil militares durante dois dias e, só se renderam quando ficaram sem munições,  agora esta de (os três) planearem um ataque à cidade de Chaves, éra mesmo uma proeza de vulto.
 
No dia seguinte, “O Século” continua com a novela e chega a afirmar: «(…) Soubemos que o companheiro do Juan Salgado Rivera que tentara a fuga com aquele e que consegui escapar à perseguição das autoridades, esteve ontem em Cambedo, tranquilamente(…)» Sim, sim! Além de o Juan ter fugido sozinho, pois nunca se confirmou a presença de um quarto guerrilheiro no Cambedo e o presumível quarto guerrilheiro tratava-se do filho de Engrácia Gonçalves, que também foi preso, e que apenas saiu à rua quando o Juan iniciou a fuga a partir de sua casa, onde tinha pernoitado. Mas ainda há mais «(…) parece averiguado que os mais temíveis bandidos eram o Juan Salgado Rivera, que morreu durante a luta, e o Demétrio Garcia Prieto, que está preso. Qual quer deles era pessoa que não vacilava em abater fosse quem fosse, para levar a cabo os seus desígnios.(…)» Quanto ao jornal «O Século», ficamos por aqui, embora a novela ainda tivesse continuação no dia 27 de Dezembro.
 
E os jornais locais o que disseram!?
 
 
Um deles, o ERA NOVA, mais próximo do regime Salazarista o tal cujo director era o Luís Borges Júnior,  não sabemos, pois após buscas do mesmo na Biblioteca Municipal de Chaves, não conseguimos encontrar um único exemplar desse ano, ou desses anos. Quanto ao «Comércio de Chaves», que fazia questão de na primeira página, no cabeçalho, meter a nota : Visado pela Comissão de Censura, reproduzimos na integra a noticia, também de 1ª página, com o pouco ou quase nade que disse sobre o assunto:
 
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Em nenhuma das notícias a que tive acesso, os guerrilheiros do “Cambedo” foram tratados como tal. Faço minhas as palavras de Paula Godinho ao respeito, na Revista História, nº27 de Dez, 1996: «…Esta passagem pela forma como a imprensa relatou os acontecimentos no Cambedo, se não pode deixar de nos lembrar a apertada malha da censura, não deixa todavia de nos interrogar sobre a carga que o regime pretendeu retirar aos acontecimentos. (…)» quando «(…) é indubitável o alinhamento político dos elementos deste grupo, herdeiro do exército republicano (…)».
 
 
 
 
Outra coisa não se poderia esperar do que diria a imprensa da época.
 
Mas mesmo após o 25 de Abril e alguma luz feita sobre o assunto, ainda há escrita da imprensa, que hoje até se diz livre e informada, que às vezes gosta de lançar confusão sobre o assunto. José Amorim num editorial que denominou "A guerrilha da fome", interpreta os factos ocorridos em Cambedo de uma forma que merece ser destacada,
 
"O que dizem os factos é que a Espanha estivera em guerra civil de que Portugal, graças a Deus, se viu livre, por mérito de um governante que se chamou Salazar (...) Como consequência dessa guerra surgiram os homens armados que para sobreviverem não olhava a meios. Recorde-se o assalto à camioneta de passageiros Braga - Chaves e a morte de soldados da GNR abatidos na sua missão (...)Os Transmontanos esperam um relato isento desse episódio bélico que pôs em alvoroço as gentes da nossa região"
(Amorim, 1987).
 
Daqui se poderão tirar algumas conclusões e compreender o porque de as gentes do Cambedo abordam sempre o assunto com desconfiança e medo.
 
«A verdade verdadeira nunca foi contada sobre o Cambedo» foi-me dito por um dos filhos do Cambedo e que desde o inicio deste trabalho me tem de certa forma perturbado. Um facto é que há uma vontade expressa por parte de toda a gente que tem alguns conhecimentos sobre os acontecimentos em não falar sobre o assunto. Quer-se um assunto esquecido, tanto que até parece haver interesses nesse esquecimento.
 
Os factos históricos da época revelam bem quem eram os espanhóis do Cambedo. Da minha parte não tenho qualquer dúvida que eram “fuxidos” e guerrilheiros que lutavam por uma Espanha livre e democrática, a mesma que tinha saído das urnas e que a direita e mais tarde Franco nunca aceitaram. Esta realidade sempre foi escondida e deturpada aos olhos do povo português, um povo que na época também estava a pagar os males de duas guerras que não eram suas. Reduzir os guerrilheiros que lutavam por Espanha contra Franco a bandidos e atracadores era a maneira mais fácil de retirar toda a carga política sobre a questão além de vir a justificar acontecimentos como os que ocorreram no Cambedo. A mesma carga política já não é retirada sobre o povo do Cambedo e sobre os envolvidos, principalmente por parte da PIDE quando as gentes do Cambedo passam a ser tratados comos os “vermelhos do Cambedo” e todos os seus passos a ser seguidos.
 
E a amnésia, com a mesma raiz semântica que amnistia, faz equivaler o esquecimento ao perdão (Aguilar, 1996:47). O sublinhado é meu.
 
É verdade e, eu sou testemunha disso. As gentes do Cambedo preferem a amnésia e o silêncio a estarem nas bocas do mundo, principalmente quando os acontecimentos do Cambedo foram e às vezes, ainda são, intencionalmente distorcidos, mal interpretados e servem de pretexto para exorbitar velhas memórias, que essas sim, mereciam ser esquecidas, ou melhor, ignoradas.
 
E termino por aqui aquela que foi a “grande reportagem” deste blog, em homenagem e dedicada ao povo do Cambedo e, termino como os amigos galegos o homenagearam:
 
« EM LEMBRANÇA DO VOSSO SOFRIMENTO»
 
A partir de amanhã o blog voltará à normalidade do costume. Contudo fica em aberto um novo blog que dá pelo nome de “Cambedo Maquis”, onde continuarei a registar o evoluir das descobertas e da escrita sobre o Cambedo e os Guerrilheiros Antifranquistas da raia portuguesa. Um blog aberto à participação de todos quantos nele queiram participar e colaborar.
 
E para terminar esta aventura sobre o Cambedo só resta mesmo agradecer a todos quantos de uma ou outra forma, directa ou indirectamente colaboraram e tornaram possível este “trabalho” sobre a tentativa de contribuir para a despenalização e as verdades do povo do Cambedo, dos guerrilheiros antifranquistas que abrigaram e da vergonhosa batalha de 20 e 21 de Dezembro de 1946.
 
Os meus agradecimentos por ordem alfabética para:
 
Almor Lopes Doutel
António Augusto Joel
Arlindo Espírito Santo
Artur Queirós (bibliografia)
Bento da Cruz (bibliografia)
Carlos Lopes
Carlos Silva
Florinda Pinheiro
Irmã Maria do Carmo
João Madureira
José Fernandes Alves (bibliografia)
José Garcia Salgado
Paula Godinho (bibliografia)
Paulo Alexandre Lopes
Presidente da Junta de freguesia de Sanfins da Castanheira
Risco da Vinha (bibliografia)
Sebastião Salgado
Silvina Feijó
 
 
E a partir de hoje este blog continuará, não com publicações diárias, mas com publicações ocasionais com tudo que houver sobre o Cambedo. 


publicado por Fer.Ribeiro às 02:10
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Cambedo da Raia - dia 1 - A razão de ser

 

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Cambedo da Raia – A Razão de ser
 
 
Em 16 de Julho de 2006 no blog Chaves dedicava um primeiro post a Cambedo da Raia e ficou a promessa que um dia voltaria lá de novo.
 
Pois a partir de hoje o blog Chaves começou a cumprir a promessa, mas dado a importância dos acontecimentos do Cambedo e a própria aldeia e suas gentes, o Cambedo da Raia merece um destaque para além do blog Chaves e por essa razão, também a partir de hoje, fica o blog Cambedo Maquis, que até dia 23, será por aqui reproduzido o que se publica no blog Chaves, mas que a partir desse dia continuará, como um blog aberto à participação de todos e com tudo que haja a publicar sobre o Cambedo da Raia.
 
Muita coisa há a dizer sobre o Cambedo e pela certa que muita coisa ficará, também e ainda, por dizer.
 
Desde esse primeiro post sobre o Cambedo que tenho dedicado grande parte do meu tempo livre à pesquisa, recolha de informação, visitas ao Cambedo, conversas com alguns naturais e testemunhas, leituras de tudo que há para ler, quer sobre a aldeia quer sobre a guerrilha antifranquista (ou os Maquis) que passa obrigatoriamente pelo Cambedo. Tanto tempo lhe tenho dedicado, que o Cambedo além de um hobby já se tornou numa paixão.
 
Começo hoje a dedicar uma série de post’s à aldeia do Cambedo da Raia e aos acontecimentos de 1946, precisamente hoje, dia 12 de Dezembro de 2007, em que faz 60 anos que foi lida a sentença do Tribunal Militar do Porto, que condenou e marcou para sempre gentes e amigos do Cambedo.
 
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Mas antes de entrar propriamente na aldeia e nos acontecimentos de 1946, no campo de batalha, há umas pequenas considerações que eu gostaria de aqui deixar para melhor ser entendido, quer no meu empenho sobre esta “história” quer em tudo que durante estes dias aqui irá ser vertido sobre o Cambedo da Raia.
 
Digamos então que toda esta história começa aí pelos meus 6 ou 7 anos de idade, com a história e estórias contadas à lareira, estórias barrosãs fruto de uma mãe também barrosã de Montalegre, nascida em 1925, e de um pai nascido em 1918, Guarda Fiscal. Estórias dos tempos de guerra civil espanhola, da grande guerra, de bandoleiros, bandidos, contrabando, contrabandistas e atracadores. Estórias de tempos difíceis, de fome, de nomes e acontecimentos que de tão repetidos que eram, ficaram para sempre registados na minha memória. Estórias que estiveram mais próximas de virarem a lendas, até com os seus mitos, do que propriamente fazerem história ou ficarem registados na história.
 
Os “bandidos e bandoleiros”, contrabandistas, “atracadores”, “assassinos e assaltantes espanhóis”,um tal Juan que com o seu grupo de bandoleiros eram autores de assaltos, mortes e tudo de mau que acontecia na região, entre os quais, a morte de um tal Pinto de Negrões e um assaltado à carreira Braga-Chaves. Estórias do Tenente Canedo e dos Canedos de Montalegre, da PIDE, de Salazar, do volfrâmio, dos tempos difíceis, do racionamento, de fome e de medo.
 
Imaginem agora todas estas estórias ouvidas e baralhadas no imaginário de uma criança…decorriam então os finais dos anos 60, teria eu 6 ou 7 anos de idade.
 
Mas no meio de todas estas estórias havia um nome que sobressaía - o do “bandido”, “atracador” Juan ou D.Juan, o terror, ou um terror, pior que qualquer “homem do saco” com que se assustavam as crianças, só que este (Juan), tinha sido real.
 
Em finais de 1960 chegava também a televisão aos lares dos portugueses. Ao meu também chegou e, com a sua entrada em casa, terminaram as noites de serões à lareira, terminou o contar de estórias do tempo das guerras e, lá em casa, nunca mais se falou em bandidos espanhóis nem em D. Juan’s. A televisão contava outras histórias e com a vantagem de ter imagens, sem necessidade de as imaginar, mesmo sendo a P&B, verdadeiras ou não, encantavam!
 
E tudo teria terminado por aqui, aliás o tal Juan, com o tempo, quase se apagou da memória, não tivesse eu, em inícios de 90, por mero acaso, comprado um livro, romance, de Bento da Cruz e, que dava pelo nome de “ Lobo Guerrilheiro”. Aos poucos, todas as estórias ouvidas aos serões da lareira dos anos 60 começavam de novo a ganhar forma, romanceadas às vezes, outras contadas ao pormenor, passo-a-passo e sobretudo com as verdades que antes do 25 de Abril nunca seriam possíveis e que, vinham alterar por completo todo o significado das estórias da minha infância. Mas surpreendido fiquei, quando chegado às últimas páginas do livro dou de caras de novo com o Juan, o tal D.Juan que era o terror em pessoa no meu imaginário e nas estórias da minha infância, o tal Juan que eu conhecia como bandido, assaltante da carreira Braga-Chaves, bandoleiro e assassino.
 
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Encontro o Juan, numa passagem que vou transcrever e que alterou por completo a imagem que tinha do mau da fita:
  
“(…)
Mas quando os Espanhóis assaltaram a carreira Braga-Chaves, repleta de lavradores que, pela manhã se dirigiam à feira anual dos Santos de Montalegre (1), todos os barrosões se sentiram ameaçados na bolsa ou na vida.
- Parece que estais a exagerar… - disse o Lobo a Consuelo.
- Nós temos as costas largas… - respondeu ela com tristeza.
- Que queres tu dizer com isso?
- Que o assalto à carreira foi concebido e executado pela Brigantilha do Franco, de colaboração com a PIDE de Salazar.
- Como é que tu sabes?
- Tenho as minhas informações.
- Qual o interesse da Brigantilha e da PIDE pelo assalto à carreira?
- O de criarem na opinião pública ambiente favorável à repressão que se vai seguir. Espera e verás…
- Desculpa, mas toda a gente diz que foi o bando do Juan quem matou o Cepriano e deu o golpe aos passageiros da caminheta. Estes afirmam que após o saque, um dos assaltantes perguntou, em galego, ao que parecia o chefe: «D.Juan, mato lo chofer?» Ao que o tal Juan respondeu: « Nom. Pincha los pneumáticos.»
 
- Isso só comprova a minha tese. Esse diálogo, se o houve, não passa duma encenação para desacreditar o guerrilheiro Juan Salgado, muito conhecido no Barroso pela sua lendária pontaria, mas que não comandava bando nenhum. Tanto quanto sei, o Juam García Salgado pertence à guerrilha orientada por Demétrio Garcá Álvares. O que te posso garantir é que nem o Juan nem o Demétrio têm nada a ver com a morte do Cepriano nem com o assalto à carreira. (…)”
 
(1)   - Bento da Cruz, como barrosão, refere-se à Feira dos Santos em Montalegre, eu, como flaviense e, pela data em questão, além das notícias da imprensa da época, penso que se dirigiam à Feira dos Santos de Chaves (apenas um pormenor e aparte)
 
Se na primeira vez que li o “Lobo Guerrilheiro” foi de rompante, na segunda, e após ter sido lido pelos meus pais, foi lido já com outros olhos e devidamente comentado, com leitura apoiada por gentes que conhecia as gentes do “romance” e, alguns até personagens intervenientes nele. E de novo o Juan, que nesta altura já não era a meus olhos um bandido, mas antes um homem para com o qual os meus pensamentos tinham sido injustos durante toda a minha vida até então.
 
A partir do “Lobo Guerrilheiro” tornei-me um apaixonado pela história do Juan, pela sua verdade e, por arrastamento pelas histórias da guerrilha antifranquista, pelos Maquis.
 
É precisamente seguindo o rasto do Juan que chego até ao Cambedo e, em vez de uma paixão, passo a ter duas paixões que no fim, não passam de uma. A paixão do Juan e do Cambedo, pois falar do Cambedo é falar do Juan e falar do Juan, é falar do Cambedo e digo isto, assim levianamente, porque é isso que eu sinto e que se sente cada vez, que no Cambedo, nos documentos e escritos, se dá de caras com o Juan e com os guerrilheiros antifranquistas, os maquis e, sobre esse passado ainda recente, que tanto maltratou, castigou e perseguiu esta aldeia e as suas gentes e que, ao longo dos anos, têm preferido esquecer, recalcando uma realidade que passados 60 anos ainda dói e ainda mói porque ainda há gentes do Cambedo que viveram esses acontecimentos ou sofrem das suas mazelas e que durante estas últimas seis dezenas de anos, principalmente até Abril de 74 os perseguiu e castigou diariamente e que após Abril, preferiram o castigo do silêncio (quase como Deus manda) ao procurarem a justiça que lhe é devida.
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“Quando, aí por 1956, regressei definitivamente a Barroso, Juan tinha sido morto há uns bons dez anos. Mas o mito do homem continuava.
 
Por causa dele, comecei a interessar-me pelo fenómeno guerrilheiro antifranquista na Galiza. Mas, durante muitos anos, para onde quer que me voltasse, esbarrava num muro de silêncio e de evasivas” - Palavras de Bento da Cruz, mas também de todos os que têm tentado e tentam entrar na verdadeira (repito verdadeira) história da guerrilha e dos acontecimentos do Cambedo.
 
Artur Queirós, Jornalista do Jornal de Notícias, num trabalho sobre os acontecimentos do Cambedo publicado nesse mesmo jornal em 6.12.1987, queixa-se do mesmo e até lembra o apelo feito pelo irmão de Juan (Benjamim Riv(b)ero quando lhe pede: « não mexam nessa ferida que é incurável e quanto mais se mexe mais dói»
 
Pessoalmente penso que o irmão de Juan estava enganado, tal como todos que pensam como ele, estão enganados. Pois penso que quanto mais se mexer na ferida e que quanto mais se souber da verdade, das causas da guerrilha e mais se fale dos acontecimentos do Cambedo, do antes e depois do Cambedo, mais próximos estaremos de fazer justiça a todos os envolvidos, a justiça que merece ser feita, pois só assim se poderão libertar de alguns fantasmas do passado e só assim se curará a tal ferida, embora seja mantida alguma dor que a memória nunca permitirá esquecer.
 
Felizmente, no decorrer destes últimos anos e, após uma primeira abordagem tímida de Jorge Fernandes Alves nos Cadernos Culturais da Câmara Municipal de Montalegre (em 1981), de Artur Queirós (em 1987), de Bento da Cruz (desde 1991) e Paula Godinho (desde 1996) muita tinta tem corrido sobre o assunto – Livros, estudos, documentários televisivos e até filmes, homenagens (tímidas ainda) de um e outro lado da fronteira foram feitos sobre o a guerrilha e sobre o Cambedo. Mas os do Cambedo, que entre uma merenda e um copo ainda se vão abrindo sobre os acontecimentos e o que se tem contado deles, referem a vergonha e a verdade que nunca foi contada.
 
Partimos assim e desde o início para um capítulo que nunca será fechado, ainda para mais que os poucos sobreviventes intervenientes, pouco ou nada dizem ao respeito. Parto assim e apenas com uma verdade, a de que o povo do Cambedo foi uma das vitimas da guerra civil espanhola, do pós guerra e do regime salazarista e franquista.
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Até hoje, com verdades ou meias verdades, ainda nunca foi feita uma verdadeira e merecida homenagem oficial ao sofrimento do povo do Cambedo. Nunca foi feita justiça nem nunca o será, porque não há justiça nem homenagem que pague a dor e sofrimento de um povo inocente que foi obrigado a carregar o pesado fardo da culpa, que foi condenado aos olhos de todo o país, castigado, e que viu alguns dos seus serem presos, torturados, desterrados, castigados e perseguidos durante algumas décadas.
 
Quando pela primeira vez abordei gentes do Cambedo sobre os acontecimentos de 1946, ficou-me apenas retido na memória e para sempre as palavras de um filho da terra que ainda criança  viveu os acontecimentos: “ – Uma vergonha, aquilo foi uma vergonha e a verdade verdadeira nunca ninguém a contou.”
 
Também eu não a vou contar, pois não a sei e, cada vez será mais difícil chegar a essa tal verdade verdadeira uma vez que os documentos oficiais e notícias da época, estão muito longe de serem de fiar e, as testemunhas que viveram directamente os acontecimentos, a maioria já morreu, os poucos que vivem são idosos e não querem ou ainda têm medo de falar e os restantes, dispostos a falar, eram miúdos na altura, que, ou mal recordam ou vão contando o que ouviram contar e inventando até
 
Penso mesmo que a verdade, a verdadeira verdade, toda a verdade, nunca será atingida. Medos e desconfianças de “gatos escaldados”. Mexer numa verdade que se quer esquecida e que, quase sempre, foi mal entendida e interpretada e em que, poucas vezes se olhou ao lado humano das gentes do Cambedo, às injustiças cometidas sobre o seu povo, ao castigo, à vergonha que durante anos foram obrigados a passar e ainda hoje por lá se sente, agora com um pouco de orgulho (por parte de alguns, poucos), mas ainda muita revolta, desconfianças e até medos de arcar com as responsabilidades dos acontecimentos do Cambedo e a morte da guerrilha antifranquista em terras de Portugal.
 
Mas uma verdade eu atingi sobre o Cambedo. A verdade de um povo inocente, que foi castigado, perseguido e ao qual nunca foi feita a devida justiça e, tudo apenas por terem acolhido no seu seio, familiares, amigos e vizinhos galegos que aos seus olhos, mesmo que o tivessem sido, nunca foram guerrilheiros.
 
É essa verdade que eu tentarei aqui abordar, a verdade de uma pequena aldeia que deu abrigo a amigos e familiares e que sofreu pela sua hospitalidade.
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Mais uma vez, repito que é levianamente que faço esta incursão aos silêncios do Cambedo, alguma por minha conta mas, quase sempre e só, para divulgar e interpretar aquilo que já foi escrito e dito nas publicações que nos últimos anos saíram a lume e que são de leitura obrigatória para melhor se compreender a história da guerrilha antifranquista, do Cambedo e claro do tal “guerrilheiro romântico” Juan Salgado o “Facundo”, culpado destas minhas duas paixões – a guerrilha e o Cambedo.
 
Faço-o apaixonadamente e consciente de todos os senãos de uma paixão, longe de querer fazer histórica sobre o assunto, mas antes uma abordagem também “romântica” e pessoal sobre os acontecimentos, baseando-me em alguns testemunhos de gentes do Cambedo, em alguns testemunhos do tempo de guerrilha de outra gente envolvida fora do Cambedo e nas publicações existentes, principalmente lendo o que não foi escrito naquilo que era “imprensa” da época e nos escritos de Jorge Fernandes Alves, Artur Queirós, Bento da Cruz , Paula Godinho e dos escritos de outros autores reunidos em livro pela Asociación Amigos da República - Ourense, aos quais (a todos) desde já peço desculpas pelo uso de muita da sua literatura e investigação, mas também com todo o respeito e admiração por todo o trabalho realizado na descoberta das verdades possíveis sobre a guerrilha antifranquista e o Cambedo.
 
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São assim leitura obrigatória sobre o assunto, pelo menos:
 
-Jorge Fernandes Alves – Cadernos Culturais 2 – «O Barrosos e a Guerra Civil de Espanha», Edição da Câmara Municipal de Montalegre, 1981;
 
- Artur Queirós – Jornal de Notícias, JND Domingo, de 6.Dez.1987;
 
- Bento da Cruz - «O Lobo Guerrilheiro» – Editorial Notícias, 1991
 
- Paula Godinho«O Maquis na Guerra Civil Espanhola: O caso do cerco a Cambedo da Raia» – Revista História, nº27, Dezembro de 1996
 
- Asociación Amigos da República. Ourense, « Solidariedade galego-portuguesa silenciada – Cambedo da Raia 1946» – Ourense 2004
 
- Bento da Cruz - « Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes» – Âncora Editora, 2ª Edição, Abril de 2005.
 
Até amanhã e já sabem que esta semana vamos andar por terras do Cambedo e regressar ao ano de 1946, aos seus acontecimentos, ao antes, ao durante e ao após Dezembro de 1946 e mais uma vez pedir desculpas ao Cambedo e às suas gentes por mexer naquilo que querem esquecido, mas que só com a verdade e o desvendar dos acontecimentos poderá ser feita alguma justiça. Espero contribuir para que tal aconteça, claro que com todos os defeitos de um olhar apaixonado!
 
Até amanhã!  


publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
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